Inspiradas na história do Gaspar, o patudo (lindo) da nossa Eunice, dedicamos este artigo às famílias que possuem “filhos com quatro patas”.

A ideia é partilhar um caminho para uma alimentação mais saudável, nutritiva e que contribua para o combate ao desperdício alimentar familiar.

Ao ler sobre o Gaspar, lembrei-me dos animais que fizeram parte da minha história, quando ajudava os meus avós e tios a alimentarem os seus cães com as mesmas refeições que faziam. Lembram-se de algum episódio como este?

Hoje, sobretudo, nas lojas especializadas em animais domésticos, assistimos a infinitas opções de alimentos processados, industrializados, recheados de conservantes e aditivos que simulam cores e sabores. Além disso, os produtos estão embalados em (muito) plástico. Com o Gaspar, o nosso protagonista do artigo, a realidade não é muito diferente, mas está em processo de transformação.

“Transforma-cão” 🙂

Se os nutricionistas reforçam a importância de nos alimentarmos de forma natural e saudável, evitando (sempre que possível) os produtos industrializados, por que é que com os nossos “filhos caninos e felinos” é diferente? Talvez pelo facto de acharmos que as rações ofereçam todos os nutrientes necessários para os animais. Mas será?

Mais do que tentar “esmiuçar” o mundo secreto das rações, o nosso propósito é partilhar algumas informações que descobrimos, após um workshop do Projeto Feeling Macro, com a veterinária Jéssica Ramos, que apresentou as principais vantagens de proporcionarmos uma alimentação caseira natural para os nossos cães. A nossa Eunice inspirada e convencida deste caminho passou a oferecer (gradualmente) uma alimentação diferente ao Gaspar.

Dieta Omnívora (com base cozida)

Os animais omnívoros são aqueles que conseguem metabolizar diferentes alimentos. Assim, a dieta omnívora (com base cozida), inclui na “ementa” uma fonte de proteína, uma fonte de hidratos de carbono e vários vegetais e frutas.

Importante – Como em toda a transição, é necessário considerarmos um período de adaptação, ou seja, é aconselhável que durante quatro a sete dias intercalemos a nova dieta (omnívora) com a atual alimentação do animal.

Vale ressaltar também que durante o período de “desintoxicação” é normal haver o aparecimento de comichão, diarreia, cólicas e outros sintomas gastrointestinais. Mas acreditem, assim como o Gaspar, eles agradecer-lhes-ão pela dedicação com uma dose extra de disposição e energia.


Imagem: Divulgação


A dieta na prática

A quantidade diária de alimento (natural) que oferecemos aos nossos animais dependerá do seu peso, do nível de atividade que exerce e da necessidade especial que ele possa ter (excesso de peso, por exemplo).  Assim, a dose deverá corresponder de 2 a 3,5% do peso do animal.

No caso do Gaspar, que pesa 42 kg, a quantidade diária é de cerca de 1,200 kg de uma refeição nutricionalmente rica, saborosa e que ainda contribui com a redução do desperdício alimentar.

A nossa Eunice partilha que nem sempre é fácil manter essa rotina, isso porque o cumprimento da dieta implica organização, planificação e na disposição de tempo.  “Confesso que nem sempre é fácil, mas vale a pena! As vantagens são muitas – sabemos o que estamos a oferecer ao nosso cão, garantimos que consuma os nutrientes necessários e ainda por cima reduzimos o desperdício alimentar aqui de casa!”.

Para otimizar o tempo, a nossa Eunice tenta (sempre que possível) preparar a alimentação do Gaspar semanalmente e congela já nas porções certas para cada dia.


Imagem: "Desafio Zero"

Como preparar os alimentos?



Alimentos a evitar

Para que os nossos animais alcancem uma longa vida (saudável) é essencial estarmos atentos à sua alimentação. Já partilhamos algumas opções que podemos oferecer (sem preocupação) à eles, mas o que será que devemos evitar dar aos nossos animais? (Por mais que seja difícil resistir àqueles olhares pedintes)

No portal – Cachorro Verde, da veterinária e nutricionista natural (para cães), Sylvia Angélico, está disponível uma vasta relação de alimentos que devemos evitar oferecer para os nossos animais:

  • Chocolate – O fígado dos nossos pets não metaboliza a substância prima da cafeína, que fica ativa no organismo, podendo intoxicar gravemente e causar taquicardia, espasmos musculares, vômitos e diarreia.

  • Massa crua de pão ou de bolo – O fermento presente na massa crua produzirá gases e álcool no trato digestório do animal, o que causa muita dor e desconforto pela distensão do estômago ou alças intestinais.

  • Cebola – Contém uma substância (n-propil disulfito) que pode provocar anemia aos animais.

  • Alho (em pequenas quantidades é seguro) – Em quantidades moderadas traz alguns benefícios: Pode combater o colesterol, ajudar no controle da glicemia e aumentar a resistência a pulgas, carrapatos e vermes intestinais. Porém se exagerarmos no alho os nossos animais podem sofrer de gases e também há um risco de ocorrer anemia.

  • Macadâmias – A sua ingestão pode causar paralisia dos membros traseiros. Até 12 horas após o consumo da macadâmia, os cães e gatos podem apresentar um quadro de fraqueza, vómitos, tremores e a queda dos membros traseiros.

  • Uvas e passas – Mesmo que ainda não esteja cientificamente comprovado, há indícios que qualquer tipo de uva ou passa (mesmo as biológicas) pode comprometer os rins dos animais. Na dúvida, é melhor evitar!

Estes e outros alimentos que devemos evitar, podemos consultar aqui

Menos desperdício, mais alegria e muito amor

Felizmente junto com esta “nova” forma de alimentar os nossos animais, aos poucos, vão surgindo também no mercado marcas verdadeiramente preocupadas com a saúde animal e comprometidas com o meio ambiente. É o caso da Dogs´Wish – Puppia que, entre outros serviços, disponibiliza para entrega ao domicílio (em recipientes reutilizáveis), produtos de nutrição animal Biologically Appropriate Raw Food (BARF), isto é – alimentos que a natureza pretendia que os nossos animais consumissem se vivessem, como os seus ancestrais, num ambiente selvagem.

A base da dieta BARF é isenta de cereais, corantes, conservantes e ingredientes artificiais.

É aconselhável consultar (periodicamente, sempre que possível) um veterinário de confiança.

E desse lado? Quais as vossas histórias de transforma-cão?

Fontes: “Desafio Zero”, Dogs wish, Projeto Feeling Macro, Cachorro Verde